Secção Temática Sexualidade e Género

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Call para a apresentação de comunicações


Coordenação:
Cristina Pereira Vieira [LE@D – Universidade Aberta; CIEG-ISCSP-UL]
Sandra Palma Saleiro [CIES-Iscte, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa]
António Pedro Fidalgo [Centro de Estudos Sociais – CES]


Na sociedade portuguesa, a sexualidade e o género continuam a constituir um campo de conflito em torno de algumas das questões mais profundas e politicamente fraturantes do nosso tempo, nomeadamente aquelas ligadas à autodeterminação corporal, de género, da intimidade e relacional. Estas questões ocupam hoje um lugar central no debate público e legislativo. Neste contexto, a Sociologia é chamada a intervir de forma informada e crítica, contribuindo para as discussões que moldam o futuro da sexualidade e do género enquanto dimensões socialmente construídas (e reguladas) da experiência humana.

Pela primeira vez desde a descriminalização da homossexualidade em 1982 (Decreto-Lei n.º 400/82, de 23 de setembro), a sociedade portuguesa tem assistido a retrocessos nas políticas através das quais o Estado regula a sexualidade e o género, bem como a sua expressão na esfera pública. Estes desenvolvimentos alinham-se com dinâmicas globais de retração dos direitos no domínio da cidadania íntima e sexual em diversos países do mundo, com processos de criminalização de movimentos sociais e com a disseminação de discursos “antigénero” e “anticientíficos”, frequentemente associados a projetos políticos populistas e/ou autoritários, que, como se refere na chamada geral deste Congresso “põem em causa o regular funcionamento das democracias”.

Perante este cenário, torna-se crucial continuar a fomentar a investigação e o diálogo nesta área temática, mobilizando a experiência coletiva de pessoas investigadoras em Sociologia e noutras disciplinas, bem como contributos interdisciplinares e, mais do que nunca, provenientes de contextos não académicos – dos setores público e privado, da economia social e solidária, dos movimentos sociais e sociedade civil. Neste sentido, são muito bem-vindas e encorajadas todas as propostas de pessoas profissionais, artistas, ativistas, voluntárias e outros atores com intervenção no campo da sexualidade e género. Incentivamos também a participação de pessoas estudantes e jovens investigadoras.

A Secção Temática de Sexualidade e Género da APS convida à submissão de propostas de comunicações orais (que poderão integrar fotografia, obras artísticas, curtas-metragens, pequenos filmes, fanzines, materiais de arquivo...), resultantes de projetos de investigação, intervenção, relatórios ou outras atividades relevantes nesta área. Serão consideradas propostas que abordem, entre outros, os seguintes eixos temáticos:
(1) Estudos de género, feministas e sobre as mulheres;
(2) Estudos LGBTQIA+/queer;
(3) Práticas profissionais no campo da sexualidade e do género
(4) Estudos interdisciplinares no campo da sexualidade e género;
(5) Políticas públicas, sociais e boas práticas na promoção da igualdade de género e no combate à discriminação LGBTQIA+;
(6) Estudos sobre políticas e práticas “anti-género” nas sociedades contemporâneas;
(7) Desigualdades e violência de género no espaço público e privado e em diferentes territórios;
(8) Sexualidade e género na era da inteligência artificial;
(9) Sexualidade e género no ativismo, práticas artísticas e movimentos sociais;
(10) Abordagens interseccionais à sexualidade e género, com outros eixos de opressão (racialização, étnica, classe social, diversidade funcional, saúde, religião, migração, ruralidade e outras);
(11) Teorias, metodologias e inovação: Apresentação de propostas teóricas, processos metodológicos e de abordagens na investigação e na prática sociológica sobre sexualidade e género.

Convidamos ao envio de propostas de resumos de investigações situadas em contexto académico e não académico em resposta a esta convocatória.

As propostas de comunicações orais devem incluir um resumo que identifique, de forma breve, (i) o enquadramento teórico (incluindo as principais pessoas autoras de referência) ou o diagnóstico da situação (no caso de comunicações do meio profissional ou artístico), (ii) os objetivos e a metodologia utilizada para o trabalho empírico (quando aplicável) e (iii) os principais resultados, conclusões ou reflexões.

As propostas devem ser submetidas na área pessoal dentro do prazo indicado nas normas de submissão. Na sua avaliação serão considerados a clareza dos objetivos, a adequação metodológica, a relevância dos resultados e a qualidade global da proposta.

As propostas poderão ser em português, inglês, espanhol ou francês.

O limite máximo do resumo é de 2500 caracteres (sem espaços).

O Congresso realizar-se-á presencialmente na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, em Faro, entre os dias 23 e 25 de março de 2027, podendo incluir sessões online no dia 22 de março. No momento da submissão de propostas de comunicação, os autores devem indicar se pretendem participar presencialmente ou online.

Todos/as os/as autores/as serão convidados a submeter o texto completo das comunicações para publicação nas Atas do Congresso.

As regras e prazos a considerar para a submissão dos resumos podem ser consultados na página "Submissão e Normas".

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