Secção Temática 
Sociedade Civil, Economias Alternativas e Voluntariado (ST SCEAV)

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Call para a apresentação de comunicações


Coordenação:
Cristina Pereira Vieira [LE@D – Universidade Aberta; CIEG-ISCSP-UL]
Sandra Palma Saleiro [CIES-Iscte, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa]
António Pedro Fidalgo [Centro de Estudos Sociais – CES]


Num contexto marcado por múltiplas crises interligadas, de natureza ambiental, económica, social, política e de confiança nas instituições, a Sociologia é desafiada a reforçar a sua presença na esfera pública e a afirmar-se como um recurso fundamental na compreensão e transformação das sociedades contemporâneas. Perante o agravamento e intensificação das desigualdades, das vulnerabilidades sociais e das tensões que atravessam as democracias, torna-se particularmente relevante refletir sobre os contributos do conhecimento e da prática sociológica para a construção de futuros mais justos, sustentáveis e inclusivos, capazes de responder aos desafios complexos do presente.

Neste contexto, assume especial importância a análise do papel da sociedade civil, das economias alternativas, do voluntariado e das suas práticas coletivas, cooperativas e colaborativas orientadas para a produção de novas respostas aos desafios contemporâneos. Este campo situado na interseção entre o Estado, o mercado e a comunidade, integra uma vasta diversidade de atores, incluindo organizações não governamentais, cooperativas, associações, empresas sociais, coletivos e iniciativas informais. As suas práticas contribuem para a democratização económica e social, para a inovação social e para a construção de alternativas sustentáveis, frequentemente ancoradas em princípios de cooperação, participação e orientação para o bem comum.

Estas dinâmicas assumem particular relevância em contextos de crise, onde se tornam visíveis formas de organização e intervenção que procuram responder a necessidades sociais emergentes e, simultaneamente, antecipar futuros possíveis.

Estes domínios constituem espaços privilegiados de experimentação social e institucional, onde emergem soluções, práticas e formas de organização que questionam modelos dominantes de desenvolvimento e contribuem para a renovação das formas de participação, solidariedade e ação coletiva. Em simultâneo, revelam-se centrais na promoção de formas de envolvimento cívico mais inclusivas, no reforço das dinâmicas de proximidade e na construção de respostas ajustadas às necessidades dos territórios e das suas populações.

Assim, a Secção Temática Sociedade Civil, Economias Alternativas e Voluntariado (ST SCEAV) convida à submissão de propostas que explorem o contributo de diferentes atores, práticas e formas organizacionais para a transformação social e para o reforço da democracia. Interessa, em particular, compreender o modo como estas iniciativas se inscrevem na esfera pública, como dialogam com as políticas públicas e como contribuem para processos de mobilização cidadã e de participação cívica. Pretende-se também promover uma reflexão profunda acerca das condições que potenciam ou limitam a sua ação, as tensões que atravessam estes espaços e os impactos que produzem em diferentes escalas.

A Sociologia, enquanto disciplina atenta às relações, práticas e contextos, desempenha um papel central na análise crítica destas dinâmicas, na compreensão das suas condições de emergência e desenvolvimento, e na avaliação dos seus impactos sociais, económicos e políticos. Na sua versão aplicada, a sociologia enforma o olhar de profissionais que trabalham nestas organizações atento à pluridimensionalidade e complexidade dos sistemas sociais, beneficiando do vai-e-vem entre o conhecimento académico e o conhecimento prático, assumindo uma função relevante na transferência deste conhecimento para o debate público, na promoção de processos de coconstrução de conhecimento com diferentes atores sociais e na valorização de formas de intervenção informadas e reflexivas que contribuam para a construção de sociedades mais democráticas e inclusivas.

Neste sentido, são particularmente bem-vindas contribuições que abordem, entre outros, os seguintes eixos:
1. Economias social, solidária e popular: práticas e contextos institucionais;
2. Empresas sociais: práticas, discursos e formas organizacionais;
3. Terceiro sector, Estado-Providência e políticas públicas locais e nacionais;
4. Empreendedorismo social, solidário e coletivo;
5. Inovação social e impacto socioeconómico e ambiental;
6. Ação humanitária e ONGD, novas e velhas formas de filantropia;
7. A economia de proximidade, coletivos e a gestão dos comuns;
8. Ativismo e produção/consumo responsável;
9. Sociedade civil, participação e democracia;
10. Cooperativismo e associativismo;
11. Capital social, confiança e participação;
12. A digitalização na economia social e solidária e o cooperativismo de plataforma;
13. Emprego e trabalho na economia social e solidária e no voluntariado;
14. Intervenção social e cultural em redes locais pelo bem comum;
15. Economias, práticas e epistemologias queer nas organizações.

Convida-se à submissão de propostas de resumos baseadas em investigação académica e não académica, incluindo trabalhos empíricos, contributos teóricos e metodológicos, bem como relatos de experiências profissionais.

As propostas deverão incluir enquadramento teórico, objetivos, metodologia, principais resultados e conclusões.

As contribuições de natureza profissional podem assumir a forma de relatos de experiência, incluindo contexto, objetivos, atores envolvidos, metodologias, atividades desenvolvidas e principais aprendizagens.

As propostas devem ser submetidas na área pessoal dentro do prazo indicado nas normas de submissão. Na sua avaliação serão considerados a clareza dos objetivos, a adequação metodológica, a relevância dos resultados e a qualidade global da proposta.

As propostas poderão ser em português, inglês, espanhol ou francês.

O limite máximo do resumo é de 2500 caracteres (sem espaços).

O Congresso realizar-se-á presencialmente na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, em Faro, entre os dias 23 e 25 de março de 2027, podendo incluir sessões online no dia 22 de março. No momento da submissão de propostas de comunicação, os autores devem indicar se pretendem participar presencialmente ou online.

Todos/as os/as autores/as serão convidados a submeter o texto completo das comunicações para publicação nas Atas do Congresso.

As regras e prazos a considerar para a submissão dos resumos podem ser consultados na página "Submissão e Normas".

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