Secção Temática Sociologia da Educação

APS'27-imagem-st-sociologia-da-educacao

Call para a apresentação de comunicações


Coordenação:
Eva Gonçalves [Instituto de Educação da Universidade de Lisboa]
Lia Pappámikail [ESE Santarém]
Susana Batista [NOVA FCSH]


Num contexto marcado por crises contínuas e interligadas, desigualdades persistentes, rápidas transformações tecnológicas e tensões democráticas, a educação emerge simultaneamente como promessa e como campo de controvérsia, sendo convocada para a criação ou transformação de possíveis futuros (UNESCO, 2022)..

Mais do que um setor entre outros da complexa engrenagem social, a educação - em particular a Escola Pública - pode ser pensada como um projeto de futuro, ancorado num percurso histórico complexo, atravessado por tensões, ambivalências e disputas quanto às suas finalidades, formas e responsabilidades. Entre expectativas de redenção social e limites estruturais, a escola continua a ser investida de um papel central na resolução de problemas coletivos – da coesão social à sustentabilidade, da cidadania à inovação –, ainda que, como sublinham Dubet e Duru-Bellat (2020), muitos dos problemas que nela se manifestam tenham origem fora do seu espaço de intervenção, tornando necessariamente incompleta qualquer promessa de solução exclusivamente escolar, ou educativa se nesta discussão se incluir o campo educativo num sentido mais amplo.

Neste quadro, a relação entre educação e sociedade constitui um terreno privilegiado para interrogar a qualidade das democracias contemporâneas. Como argumenta Biesta (2019, 2025), as tensões entre os discursos político e escolar revelam não apenas diferentes conceções sobre o que a educação deve ser, mas também disputas mais amplas sobre os rumos da vida coletiva e os futuros que se procuram imaginar, reproduzir ou transformar. A pressão para que a educação responda a múltiplos mandatos – por vezes contraditórios – intensifica o seu carácter de campo em permanente reconfiguração, onde coexistem a intervenção permanente das políticas públicas, novos investimentos, novas formas de educar e uma crescente diversidade de atores.

Assim, pensar a educação hoje implica reconhecê-la como um processo em contínua ampliação, que extravasa os limites da escola e se inscreve num ecossistema mais vasto de práticas, instituições e temporalidades. A sociologia da educação, ao produzir conhecimento crítico sobre estas dinâmicas, desempenha um papel fundamental na compreensão das suas transformações, na identificação das suas tensões constitutivas e na problematização das suas promessas. Mais do que oferecer respostas fechadas, contribui para sustentar uma reflexão informada e plural sobre os caminhos possíveis da educação enquanto projeto coletivo de futuro (Neves & Justino, 2018).

Neste sentido, a Secção Temática de Sociologia da Educação convida à submissão de propostas de comunicação, por parte de sociólogos ou outros cientistas sociais, resultantes do trabalho desenvolvido no quadro da sua investigação e/ou ação profissional no campo educativo. Muito embora se considerem as diferenças entre trabalhos de natureza mais académica e mais praxiológica, as propostas devem esclarecer a abordagem metodológica e basear-se em trabalhos/intervenções que inovem na produção de conhecimento.

As propostas deverão incluir enquadramento teórico, objetivos, metodologia, principais resultados e conclusões. As contribuições de natureza profissional podem assumir a forma de relatos de experiência, incluindo contexto, objetivos, atores envolvidos, metodologias, atividades desenvolvidas e principais aprendizagens.

As propostas devem dar um contributo relevante à discussão da temática do Congresso e, em particular, desta chamada, incidindo sobre o papel do sociólogo da educação na construção de conhecimento científico e técnico que informe o debate público, fundamente decisões coletivas, fortaleça a vida democrática, reflita sobre processos atuais (transformações recentes no campo do acesso à profissão docente, datificação da escola, novos atores e territórios educativos, aprendizagens essenciais, etc.) com vista à construção dos futuros educativos e formativos.

As propostas devem ser submetidas na área pessoal dentro do prazo indicado nas normas de submissão. Na sua avaliação serão considerados a clareza dos objetivos, a adequação metodológica, a relevância dos resultados e a qualidade global da proposta.

As propostas poderão ser em português, inglês, espanhol ou francês.

O limite máximo do resumo é de 2500 caracteres (sem espaços).

O Congresso realizar-se-á presencialmente na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, em Faro, entre os dias 23 e 25 de março de 2027, podendo incluir sessões online no dia 22 de março. No momento da submissão de propostas de comunicação, os autores devem indicar se pretendem participar presencialmente ou online.

Todos/as os/as autores/as serão convidados a submeter o texto completo das comunicações para publicação nas Atas do Congresso.


Referências

Biesta, G. (2019). What kind of society does the school need? Redefining the democratic work of education in impatient times. Em Studies in Philosophy and Education, Dordrecht, 38 (6), p. 657-668, 2019. https://doi.org/10.1007/s11217-019-09675-y

Biesta, G. (2025). The future of education in the impulse society: Why schools and teachers matter. Prospects 55, 335–343. https://doi.org/10.1007/s11125-025-09723-1

Dubet, F. & Duru-Bellat, M. (2020). L’école peut-elle sauver la démocratie? Paris, Seuil.

UNESCO. (2022). Reimaginando os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação. UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000381115

Neves, M., & Justino, D. (2018). Todo o projeto educativo é uma opção moral. Em Neves, M. & Justino, D. (Coord.). Ética Aplicada. Educação. Edições 70.

As regras e prazos a considerar para a submissão dos resumos podem ser consultados na página "Submissão e Normas".

powered by eventQualia